-  PENSAMENTOS ALTAMENTE FILOSÓFICOS  -

 

 

OS MEUS PENSAMENTOS

 

 

num momento de inspiração, rené Descartes escreveu nas suas Méditations Métaphysiques: "Je pense donc je suis".

 

 merece por isso o título de "pai espiritual" desta página.

 

 

 

Depois de alguns destes "pensamentos",  tive que descansar durante vários dias!

 

 

Quando, como por magia, um "pensamento altamente filosófico" atravessa a minha mente, prefiro soltá-lo imediatamente e imaginá-lo a voar até uma próxima pessoa. Olho à minha volta e tento adivinhar quem será a pessoa seguinte... 

 

 

Nunca tive por hábito escrever os meus pensamentos de forma que esta página irá demorar algum tempo a ganhar consistência (e talvez um dia ganhe qualidade!)...

 

 

 

 

Alguns pensamentos altamente filosóficos:

 

 

 

"Os olhos apaixonam-se sempre antes do coração."

 

 

"Existir é caminhar para a morte, viver é esquecer a morte."

 

 

"Uma vida sem loucura é como uma colmeia sem mel."

 

 

"A lua, pela repetição monótona das suas fases, alerta-nos para o que não deve ser a nossa vida."

 

 

"O olhar é o mensageiro mais fiel entre o nosso mundo interior e o mundo exterior."

 

 

"A paixão é o fósforo do amor."

 

 

"A vida é uma equação em que a principal incógnita é a morte."

 

 

"Aquele que deixa de acreditar em si envenena a sua própria alma."

 

 

"O amor como o fogo pode aquecer ou deixar marcas para sempre."

 

 

"O tempo faz esquecer as feridas do coração mas só o amor as cura."

 

 

"Mais vale tropeçar a correr do que caminhar sem destino."

 

 

"O silêncio dos culpados não pode fazer esquecer os gritos das vítimas."

 

 

"A melhor forma de testar a amizade entre dois homens é colocar uma mulher entre eles."

 

 

"Toda a manifestação de violência é um indicador de que a evolução do Homem está longe de terminar."

 

 

"A vida é em tudo semelhante à queda de uma gota de água."

 

 

"A explicação do acaso é que não sabemos explicá-lo."

 

 

"Cada segundo parece insignificante mas a vida pode acabar em cada um deles."

 

 

"Só o crente consegue endireitar as linhas tortas."

 

 

"A morte de uma flor não faz com que o jardim desapareça."

 

 

"Na conquista de si próprio, a purificação dos pensamentos é a derradeira batalha."

 

 

 

 

 

Finalmente, deixo aqui um pequeno texto (menos optimista que estes últimos pensamentos!). A primeira metade foi escrita numa noite em Setembro de 2002 num momento de inspiração quase tão alto como o Evereste. De certa forma, sempre tive em mente a segunda parte, mas só meio ano mais tarde (depois de voltar a ler a primeira parte) é que senti necessidade de ultrapassar a fase dos pensamentos e escrever. 

 

 

 

 

 

"O SILÊNCIO DAS LÁGRIMAS"

 

 

Parte I

(Ele)

 

O sol despediu-se pela última vez

num céu mais pálido do que o costume.

 

As gaivotas que, noutros dias, alegravam o ar

tinham-se pousado e olhavam fixamente para o horizonte, com desalento e tristeza.

O silêncio que reinava contrastava com os gritos de desespero

provocados pelos pedaços de vidro espetados no meu peito.

 

A ironia do destino quis que estivesse a pensar apaixonadamente no nosso futuro...

Como podia esse breve instante de desatenção ter causado tal desgraça?

Pela última vez, senti as tuas mãos acariciarem o meu rosto com uma ternura dolorosa.

Sofri com as lágrimas que abandonavam os teus olhos

como os navegadores saltam das embarcações perante a violência da tempestade.

Que tinha eu feito para ter que partir assim e deixar-te sozinha?

 

Enquanto provava o sabor amargo da incompreensão,

 o meu coração, exausto, abrandou cruelmente.

Um arrepio gelado fez-me entender que o meu corpo estaria prestes a parar.

Um grito assustador ensurdeceu-me violentamente:

num último esforço, os meus pulmões suplicavam

mas o ar, orgulhoso, recusava alimentar este corpo moribundo.

Na minha ingenuidade, pensei poder reclamar um último desejo e

os meus lábios tentaram expressar o meu amor por ti. Em vão!

Foi então que um nevoeiro que parecia provir das profundezas do mar

arrastou-se até mim e vendou-me progressivamente os olhos.

Tons de cinzento começaram por substituir as cores

até serem derrotados pelo todo poderoso preto numa luta desigual.

Uma pequena luz ainda tentou resistir mas acabou por se perder na escuridão aterradora.

Num derradeiro esforço coroado de frustração,

procurei levar uma recordação agradável  para a  minha sepultura.

 

O sofrimento tornou-se insuportável.

O medo ardia em mim e a dor dilacerava-me; como dois abutres,

deliciavam-se com a carne abandonada pelo predador.

Foi então que surgiu o mais temível dos inimigos.

O seu perfume adormeceu os meus sentidos e asfixiou a minha alma.

Orador maquiavélico, nem precisou de se empenhar para me convencer a desistir:

se a esperança tinha morrido, o orgulho já estava enterrado!

O meu corpo pedia licença para começar a se decompor quando o silêncio

expressou a sua revolta num grito cheio de demência e raiva.

Pela primeira e última vez, ouvi a minha alma chorar.

 

A noite tinha finalmente caído sobre mim.

Há muito que o sol tinha fugido

e que a lua me contemplava, impotente e inconsolável.

 

  

Manuel Marques – 03/09/2002

 

 

 

Parte II

(Ela)

 

Nunca a noite tinha caído tão depressa

nem nunca o céu me tinha parecido tão ameaçador.

 

Duas gaivotas cruzaram-se acima de mim num movimento desajeitado

lembrando dois assaltantes fugindo do local de um crime.

O vento soprava de forma irregular

e tinha sido encarregue de espalhar por todo o lado o cheiro da morte.

 

Rompendo a escuridão, a lua surgiu no meio de uma nuvem negra.

A sua luz enfraquecida foi suficiente para iluminar o teu rosto entre os meus braços.

Lembrei-me dos gritos de agonia, dos pedidos de socorro e da última vez

em que olhaste para mim. Os mesmos olhos que ontem transbordavam de amor

estavam agora fixos num horizonte inexistente.

Como podia o destino ser cruel ao ponto de te raptar e de me deixar sozinha?

 

A esperança de acordar de um pesadelo esvaneceu-se. Este pesadelo era real.

A dor que sentia era tão grande que até as lágrimas me magoavam:

saiam dos meus olhos com o desespero de alguém que se atira de um prédio

e ainda tinham tempo de deixar na minha cara o rasto de uma lâmina afiada.

Tentei fechar os olhos para pôr termo a essa hemorragia

mas nem isso consegui - parecia que os meus olhos tinham prazer no que faziam.

Imaginei então como seria bom que, em vez de lágrimas,

 fosse o meu sangue a ser expulso do meu corpo, até à última gota.

O meu coração batia com uma força insuportável

e lembrava-me a cada instante que eu estava viva.

Pensei então que, do mesmo modo que um homem falha uma curva,

se despista e morre, o meu coração também podia falhar uma batida...

Mas ele nunca me daria essa satisfação.

Como um animal de circo que sempre viveu numa jaula

acostumou-se a bater, sem saber porquê, sem se queixar e sem falhar!

 

Com toda a força que me restava, pedi para morrer.

O meu corpo, na sua profunda cobardia, respondeu que apenas iria desmaiar.

Antes disso, ainda teria de lutar contra recordações

que mais pareciam pertencer a outra realidade e se aproveitavam

da minha debilidade para me torturar mais um pouco.

Finalmente, lembrei-me de rezar uma Ave Maria, palavras repetidas

 milhares de vezes mas que não fui capaz de recordar naquele momento.

Nem fiquei preocupada porque sabia que a minha fé nunca resistiria a tal injustiça.

O homem que eu amava podia estar a caminho do paraíso

mas eu já estava no inferno.

 

Em desespero, levantei os olhos ao céu.

Única testemunha da tragédia, a lua chorava

e eu conseguia ouvir o silêncio das suas lágrimas.

  

Manuel Marques – 28/06/2003

 

 

 

 

 

       "Pensamentos"               "Cubo de Gelo"

-   Manuel Marques  2003   -